A GRANDE OBRA DE ARTE DA PÓS RECESSÃO - RIO DE JANEIRO/RJ

DETALHES DO EVENTO

  • Data: 19/07/2018
  • Horário: 19H30
  • Classificação: - 14 anos
  • Site: https://ticketmais.com.br
  • Local: TEATRO MUNICIPAL SERRADOR
  • Duração: 75 minutos
  • Gênero: Comédia
  • Telefone: (21) 2220-5033
  • Email: teatroserrador@gmail.com

 “A Grande Obra de arte da pós recessão” estreia no Teatro Serrador

Unindo a comédia de costumes ao Grand Guignol, espetáculo do grupo “Os Pataphísicos” fica em cartaz até 28 de julho 

Até que ponto o ser humano é capaz de se adaptar a situações de extrema miséria e terror, além de extrapolar seus códigos comportamentais, em um ambiente de absoluta devastação social? Essa é a questão central da trama de “A Grande obra de arte da pós recessão”, peça que estreia no dia 6 de julho no Teatro Serrador, no Centro do Rio. Unindo a comédia de costumes ao Grand Guignol, o espetáculo, do grupo “Os PataPhísicos”, fica em cartaz até o dia 28 de julho com sessões de quinta a sábado, às 19h30. 

Com texto e direção de Raphael Janeiro, a peça dá sequência à pesquisa do grupo, que inicialmente resultou na elaboração de quatro cenas curtas: “Film Noir” (2010), “Banzai!” (2011), “Sobre Discos e Outras Sutilidades” (2011) e “Isto Não é Uma Guerra” (2013) - esquete extraído de cena da peça homônima.   Todas premiadas em diversos festivais do estado do Rio de Janeiro, além de terem participado do circuito SESI Cultural em 2012 e 2013. 

“A Grande obra de arte da pós recessão” tem em seu elenco Dani Carvalho, Edson Santiago, Henrique Trés e Raphael Janeiro e Éder Montalvão, convidado pelo grupo para integrar o elenco do espetáculo.  

- O contexto no qual se insere a narrativa é de uma “hipotética” e severa recessão nos meios de produção, que limita as possibilidades de obtenção de comida. Os mercados não vendem mais alimentos. As indústrias nada produzem. O cenário é o apartamento do casal Catarina e César, onde trabalha o mordomo Carlos – diz o diretor.

 O grupo estreou sua primeira peça, “Isto Não é Uma Guerra”, em 2013, no Festival de Teatro de Curitiba. No Rio de Janeiro, a peça ficou em cartaz nos teatros Parque das Ruínas, Maria Clara Machado e Tom Jobim em 2014. Já em 2015, cumpriu temporada nos teatros Ipanema e Gláucio Gill. 

 O novo espetáculo é dividido em dois atos, estruturados a partir de estilos teatrais característicos. No primeiro, utiliza-se técnicas dramatúrgicas e cênicas da Comédia de Costumes. Diálogos rápidos, divertidos e uma encenação dinâmica, sobrepõem-se ao ambiente desolador e discrepante que serve como pano de fundo. No segundo, utiliza-se técnicas dramatúrgicas e cênicas do teatro do Grand Guignol. A voracidade com a qual se alimentam do corpo da mulher é exacerbada pelo sangue que extravasa o cadáver, tendo órgãos e membros devorados diante da plateia. 

O primeiro ato compreende a preparação para um jantar, onde será aberta a última lata de ervilha existente na região. É esperada a visita de uma comitiva do governo, vista por César como a esperança de financiamento para o seu projeto artístico. No entanto, ele começa a suspeitar de uma possível traição conjugal, o que gera uma série de discussões e “quiproquós”. 

O segundo ato tem início com a chegada de Augusto, um representante do governo. Ao descobrir que a lata de ervilha está podre, César, temendo que a ausência de comida comprometa seus planos de financiamento, informa que houve uma alteração no prato principal e serve um corpo humano como refeição. Esta situação absurda é validada pelas idiossincrasias que compõem o ambiente no qual eles vivem. Inicia-se o banquete, durante o qual eles debaterão sobre a obra de arte, realizada por César, que pretendem promover como o grande feito artístico da pós recessão. 

- O terror do Grand Guignol e a sutileza da Comédia de Costumes servem ao mesmo propósito, expor as debilidades sociais do ser humano. Unir técnicas teatrais tão distintas em “A Grande Obra de Arte da Pós Recessão” deixa latente como o mesmo ambiente, de absoluta miséria, pode gerar situações de aparente harmonia, como também trazer à tona a crueza e objetividade humana – complementa Janeiro. 

“Como escrever poesia depois de Auschwitz”? A pergunta de Theodor W. Adorno parece entrar em choque com a ansiedade de César (personagem da peça) por desenvolver seu trabalho artístico em meio ao ambiente inóspito no qual vivem. No entanto, posto que apenas o ser humano seria capaz de desenvolver um pensamento artístico, a arte gera um sentimento que funciona como um meio de não sucumbir à desumanidade. Principalmente em momentos nos quais os instintos animais de sobrevivência são mais solicitados. 

- Fazer uma peça de teatro diante de uma realidade absolutamente contrária, com ausência de incentivo público e desinteresse social, que se mostram no esvaziamento dos teatros e na precariedade das condições de produção, é de alguma forma a busca por manter o que há de humano em nossa sociedade e é com esse pensamento que o grupo “Os PataPHísicos” se interessa em desenvolver o presente projeto – completa Dani Carvalho, integrante do grupo.

Texto e Direção: Raphael Janeiro

 Assistência de direção e direção de movimento: Priscila Albuquerque

 Elenco: Dani Carvalho, Éder Montalvão, Edson Santiago, Henrique Trés e 

 Raphael Janeiro

 Cenografia: Fernando Mello da Costa

 Figurinos: Bruna Falcão

 Iluminação: Paulo César Medeiros

 Composição de Trilha: Leonardo Di Lucia  e Víctor Cumplido

 Visagismo: Rodrigo Reinoso

        


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